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Blog 'E você o que me diz?'
Caminhando para Nós Mesmos
seg, 09/28/2009 - 10:30Familia Idosa
Desde o nascimento o homem caminha para a sua solidão, como se não bastasse o caminhar para o seu próprio fim.
Na infância e juventude, ainda sem entender os porques, vai sendo levado pelo borbulhar das quimeras e tudo é festa, tudo é ilusão, tudo é fantasia, tudo é alegria!
Na idade adulta-jovem, voltado para o trabalho, para a família e para as atividades dos que dele dependem, caminha acelerado, ainda sem tanto sentir, sem tanto se aperceber.
Com o passar dos anos, quando os filhos crescem, já têm suas próprias famílias e se auto-independeram, percebem os pais tontos e atordoados que de repente se sentem estranhos, como se não mais se conhecessem. Inicia-se o processo de conscientização de que estão sós.
Mesmo que se esforcem para ainda fazerem parte do contexto da vida de seus filhos, bem no fundo estão sozinhos. Já não são mais a figura central como outrora; perderam o comando. São apenas figurantes: alguem que aparece porque está ali e não podem ser prescindidos daquela cena.
Quero me referir ao respeito (no sentido de apreço, atenção, consideração) que os filhos devem ou deveriam ter aos pais, que — ao invés de aumentar com o tempo, não só por serem seus pais mas por serem mais velhos — por incrível que pareça, diminui. Mesmo levando-se em consideração de que há momentos em que as reações dos pais são desproporcionais aos fatos, ou seja, os pais ficam sensíveis demais e se melindram facilmente; justamente por não mais se sentirem a figura central da vida de seus filhos.
Idoso na praia
E assim nos sentimos como que estranhos a todos, especialmente a nós mesmos, e nos questionamos: O que ainda resta de mim? O que ainda resta do que fui e do que representei?
E então nos damos conta de que chegou a hora de nos recolhermos. Eles já não precisam mais de nós, já cumprimos nossa missão, precisamos dar ouvidos ao toque de retirada; sentimos agora que chegou o momento de iniciarmos o retorno para dentro de nós mesmos… Não porque não somos mais essenciais, mas porque eles enfim se independeram, cuidam de si e dos seus. Podemos agora nos preocupar conosco mesmos, para o bem de todos, mas especialmente o nosso. São introjeções que fortalecem o espírito e ajudam a renascer.
E eu me pergunto: estamos errados nós, pais ou estão errados eles, os filhos? Provavelmente os dois. Os filhos por não entenderem o valor maior que os pais representam em experiência, em esforco dispendido durante anos; o investimento não só financeiro mas principalmente emocional. Os pais por ainda cultivarem uma alta expectativa do retorno de pelo menos respeito. Respeito pelo que se foi, pelo que se é, pelo que se representa, pelo que se fez e pelo que ainda se pode fazer.
Essas reflexões são importantes porque nos conscientizam de nossas emoções e, uma vez delas conscientes, podemos ter a clareza mental necessária para mudar. Teremos que eximir da culpa os dois ou teremos que reeducar os dois? Acredito que é necessario reeducar os dois. Mas, e você, o que me diz?